Terça-feira, 2 de Agosto de 2005

O mundo… que está tão longe…

Africa.JPG

Por tudo o que já vimos, assistimos, ou mesmo, vivemos… fica sempre um mundo inteiro por ver, descobrir e perceber…
Coisas como o Apartheid na Africa do Sul, ficaram sempre por perceber e entender! Quem projectou, quem construiu e quem implementou um governo como o do Apartheid, foram ocidentais, homens oriundos de países civilizados e desenvolvidos, onde a modernidade impera e a educação é obrigatória.
No entanto, ao longo de cerca de 30 anos, ocuparam o território, humilharam, minimizaram, descriminaram e assassinaram, milhares de pessoas, que lá estavam desde sempre, com a sua cultura, com as suas convicções, com a sua paz…
Como desculpa utilizaram a cores da pele… é um facto, eles são pretos, e nos meios brancos, outros meios amarelos e vermelhos! Onde esta provado e assegurado, que os pretos não são absolutamente iguais aos brancos, amarelos e vermelhos, as tangas do Nietzsche da superioridade da raça ariana, são simplesmente devaneios de um homem que tinha frustrações pessoais e sexuais graves, com as quais não conseguia lidar, por isso, fazia sobressair o seu maior atributo, ser branco! Grande coisa… Não foi mais feliz por isso, e andou o resto da vida em guerra com Wagner, que muitos asseguram que amou perdidamente… Podia ter utilizado a vida, para escrever sobre coisas boas, pensar e esquecer o ódio… Em vez disso, escreveu sobre coisas que Hitler aproveitou para fundamentar filosoficamente a sua tara, e seguiu o caminho do terror e da morte, também ele outro frustrado, incapaz de amar, que levou ao suicídio a única pessoa que gostou e mais duas mulheres que nunca amou e apenas utilizou, para minimizar a sua frustração, a sua total ausência de amor…
Temos toda uma história que prova que erramos como ocidentais, brancos, o que quiseram chamar… erramos quando entramos em africa e alegamos ter encontrado um animal! Eram apenas pessoas com pele de cor diferente, erramos quando devastamos tribos, matamos crianças, mulheres, homens, em nome de um deus que jamais escreveu que queria matar os que não ouvissem ou acreditassem na palavra dele.
Erramos, quando permitimos que por interesses expansionistas e economistas, realizassem autênticos genocídios por todo o mundo… Africa, Brasil, América do sul e norte, Austrália, Indonésia, Ásia… um pouco por todo o mundo… matamos, roubamos, violamos e viramos as costas, às pessoas, ao pais, ao continente ao resto do mundo, pelo menos ao que não participa activamente na economia e na corrida para o G8!
Falo em nós… porque tal como a nossa poeta do Filme “In my Country”, sinto a culpa nos ombros de toda uma sociedade, assente em pilares podres… interesses, mentiras e egoísmo! Tudo isto começa em casa, a educação do salva-te a ti e aos teus, e depois pensa nos outros! Porque só estamos disposto a ceder o que não nos faz absolutamente falta, porque não admitimos as nossas culpas, e limitamo-nos a arranjar termos que escondam a maneira como sentimos e vemos os outros, que são apenas e só diferentes em pormenores… Pormenores que se esbatem e desaparecem, perante a dor da morte, da perda, da dor e do sofrimento… no fim, no fim de tudo quando já não existe pele, somos completamente iguais, mais um ossada, caída na terra…
Quando nos cortam, o que sai é igual, quando nos matam os que amamos, o choro e a dor é igual… a alma é diferente, mas porque não existem duas iguais, mas todos têm uma, boa ou má, grande ou pequena, independentemente da cor, etnia etc.… todos iguais, mas distintos! Como as arvores que cobrem as montanhas, como a agua que corre nos rios, como as lágrimas que rolam nos rostos cansados de ver dor, de sentir fome, de cheirar a morte… de ver tombar os que não aceitam o inaceitável, de ver crescer o ódio, a maldade e a revolta…
Não podemos apenas fechar os olhos e esquecer… temos como obrigação de aceitar a nossa parte de culpa em tudo isto, e mudar! Mudar o mundo se for preciso, porque, se está errado, temos que arranjar soluções e experimentar opções!
Fechar o mundo rico aos outros não é opção, e fazer dos países miseráveis, onde existe fome e morte, a colónia de ferias de quem não sabe o que é morrer de fome, de sede, com guerra…
Tenho vergonha de ter tudo e não conseguir estar satisfeita… Quando uma parte tão grande do mundo está francamente abandonado, entregue à dor…

Regrets, Langston Hughes

Out of love,
No regrets—
Though the goodness
Be wasted forever

Out of love
No regrets—
Though the return
Be never

Sandra Duarte Cardoso
publicado por Sandra Cardoso às 15:43

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9 comentários:
De Maxo a 5 de Agosto de 2005 às 14:51
é disto que somos feitos, é esta a condição humana, triste, alegre, mas acima de tudo com esperança que tudo possa ser melhor.......
De Sandra a 5 de Agosto de 2005 às 13:03
E como tiveste acesso ao blog?
De O Tal a 4 de Agosto de 2005 às 18:28
Que eu saiba, não...
De sandra a 4 de Agosto de 2005 às 17:15
Tens a certeza que não me conheces?
De O Tal a 4 de Agosto de 2005 às 17:07
Muitos parabéns, cada vez tenho mais vontade de te conhecer...
De Sandra a 3 de Agosto de 2005 às 15:03
... se continuam com estes elogios levam mais comigo! ainda acredito que escrevo alguma coisa de jeito, e escrevo um livro... cuidado, é perigoso!
Quem me dera puder alterar o qe sinto ser tão errado...
De Anónimo a 3 de Agosto de 2005 às 14:50
Parabéns pela forma como escreves! A tua escrita mostra o que sentes dai a razão de ser uma escrita tão apaixona e com tanto sentimento... não procuras ser politicamente correcta mas sim tocar na ferida em coisas que todos sabemos mas que preferimos ignorar, porque gostamos de nos sentir superiores e com isso alimentar os nossos egos...
Pena que o passado seja tão desconhecido, pq se não fosse não continuávamos a cometer os mesmos erros. De fuma forma ou de outra continuamos a explorar e a descriminar as pessoas de origens e culturas diferentes, continuamos a olhar para eles como seres inferiores que jamais conseguirão ascender à nossa posição...vivemos junto de povos de outras paragens mas recusamo-nos a “olhar” para eles, a aprender e a respeitar a sua cultura!

“Quando nos cortam......aceitam o inaceitável, de ver crescer o ódio, a maldade e a revolta…”

Achei este parágrafo lindo! Que pena nunca lembramo-nos disto!!!

É bom saber há pessoas como tu. Continua, foste uma grande e agradável surpresa.
Nunca conhecemos ninguém verdadeiramente, apenas vamos conhecendo um pouco mais cada dia que passa, e neste dia gostei muito da forma como pensas!
ASL
De . a 2 de Agosto de 2005 às 15:55
Sem duvida, um grande filme. Daqueles que marcam e qua vão para a lista dos "Voltar a ver" e "Recomendar a amigos". Não só pela realização (Boorman) e pelas interpretações excelentes de Binhoche e Samuel L. Jackson, como também pelo relato histórico que apresenta (entrelançado numa história de amor, que, desta vez, não é lamechas - e até mesmo, no fim, o Jackson a declamar o poema Regrets de Lanston Hughes não fica mal). Retrata, de forma crua e real, o que se viveu no fim do Aparthied. Vão ver.
De Ana a 2 de Agosto de 2005 às 15:48
olá! Dá k pensar...=s
se kiseres visita o meu blog e não hesites em comentar... http://ambiguidades.blogs.sapo.pt
bjinhos

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