Sexta-feira, 22 de Dezembro de 2006

ESTE NATAL!

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publicado por Sandra Cardoso às 18:24

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Sexta-feira, 1 de Dezembro de 2006

FRANCISCA… dos olhos doces…

 

O meu pai está sempre a dizer, que quando morre um gajo, todos dizem,” a e tal , coitado até era boa pessoa!” , grande parte das vezes até foi um bom filho da …!

Mas a malta gosta de mártires, e nada como dizer à mulher que ele tinha o seu feitio e tal, mas era boa pessoa!

Infelizmente já assisti a isto, e sinceramente devemos dizer em vida ás pessoas que são boas, que gostamos delas ou menos que as amamos, depois quando acaba o tempo, devemos guardar o que tivemos de melhor, aprender com o que tivemos de pior e seguir em frente…

Hoje está difícil pensar assim…

 Cada campanha que temos vem mais e mais animais que precisam de ajuda… não temos sítio para eles, temos poucos recursos, e tudo parece demorar uma eternidade para acontecer…

Cá em casa existem dois canitos residentes, os nossos filhotes, e normalmente um gato abandonado à espera de esterilização e depois de casa definitiva… sou alérgica a gatos, mas cá andamos, com mais lenços e com mais espirros, mas tudo se arranja!

No meio de tudo isto, há sempre mais um buraquinho, e lá vem mais um menino ou dois, ás vezes 7…

Desta vez veio uma menina, que meteu o focinho entre mim e a Lígia, e marcou a sua presença! Foi ela que me escolheu a mim… E assim foi! Felizmente a Pretinha arranjou dona, e a FRANCISCA veio cá para casa!

Posso vos dizer, que chegou, tomou banho, comeu que se fartou e deitou a cabecinha nas minhas pernas… uma menina especial, calma, tranquila, e estranhamente cheia de amor, não tinha medo nem receio dos humanos, era uma alma de amor e carinho…

No dia seguinte teve de ir logo para o veterinário, a forte tosse e a falta de ar foram alarmantes…. Pouco melhorou apesar de todos os esforços, e hoje, durante a nossa sesta, largou sangue… corri para o veterinário, e já nada se podia fazer… alem de esgana avançada, tinha uma infecção no útero, tinha de ser operada e não tinha como aguentar a operação, para alem da esgana que a consumia, e a tornava cada vez mais magra, e cada vez mais sofrida para respirar, tinha vindo esta infecção difícil e incontornável…

 Peguei na patinha dela e dei-lhe um beijinho, foi embora… abanou o rabinho até ao fim, manteve-se serena até tudo acabar... ao contrário de mim, que não consigo apreender a lidar com a perda, com a morte com o fim…

Mais uma vez foram eles a darem uma lição de grandeza e de coragem, enquanto eu desespero…

Friamente, é obvio que foi o melhor para ela, mas não consigo perceber o porque de tanta dor, de tanta morte de tanto sofrimento em seres inocentes…

Para além de todos os que morrem porque não os podemos socorrer, ainda morrem os que trazemos para as nossas casas…~

Enquanto escrevo isto choro… desespero… tenho uma mágoa tão profunda que parece não ter fim… por ela, por todos, por tudo… porque é repetido este sofrimento, esta frustração e esta impotência total!

Lá vem a tal conversa, como morreu era especial, maravilhosa!

Mas com ela não é conversa… era meiga, doce, corajosa, compreensiva, terna, inteligente, cativante e de uma coragem sem fim…

Não se queixou uma única vez das dores que teve… não fez uma única vez barulho… olhava para mim e principalmente para o Pedro com tanto amor, que nos deixava estupefactos…

Pelas atitudes dela foi cadelinha de casa, com um dono homem, de quem ela gostava muito… Tinha menos de 1 ano, e morreu hoje meus braços, depois destes dias todos de luta…

O coração era tão grande que demorou deixar de bater… depois trouxe-a nos meus braços já sem vida, e levei o seu corpo para ser incinerado… como não consegui deixa-la no carrinho dos cadáver, fui eu própria colocar o seu corpo dentro do incinerador… Tirei-a para fora duas vezes, parecia que estava quente, tive receio de não estar morta… Ao lado estavam cadáver no chão, já frios, dentro do incinerador mais cadáveres, vi as patinhas de um canito pequeno, algumas caixinhas de cartão, onde os donos carinhosos deixaram os seus amigos… outros estavam ao molho… já não é nada, eu sei, mas a dor de a deixar ali, com se fosse lixo é horrível… a dor de ver tantas vidas perdidas… é inexplicável…

Que raio de mundo este, que tratam tudo como lixo… mas em vida que é pior… na morte fica só o corpinho deles, esquecidos numa incineradora que depressa vira tudo em pó, e acaba com a sua curta e sofrida existência nesta porcaria deste mundo cheio de coisas e de gente má e reles…

Desculpem o desabafo, mas o que terão feito os animais para merecem tanta dor, tanta falta de respeito e tanta falta de esperança…

Adeus Francisca, é a segunda que eu perco com o mesmo o mesmo nome…

Ambas doces…

Queria adormecer na nossa sesta e acordar quando tudo fosse justo, e tu pudesses correr e brincar sem dores e com esperança…

Beijinhos minha princesa…

 

Sandra Duarte Cardoso

Lisboa, 30 de Dezembro de 2006

publicado por Sandra Cardoso às 01:04

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