Sexta-feira, 24 de Novembro de 2006

Somewhere over the rainbow…

 

Somewhere over the rainbow…

 

Ás vezes preciso de uma pausa, preciso de um bocadinho, para ver coisas que temos tendência em ignorar, esquecer ou mesmo m ver!

O Sol, o céu, o mar… sentir o vento nos cabelos, a areia nos pés… o cheiro da cidade, o cheiro do campo, o cheiro do mar…

O dia é composto por tarefas, e por mais rápido que se ande temos sempre a sensação que deixamos alguma coisa a meio…

Depois de muito pensar, de ler alguns livros e de falar com algumas pessoas, dei conta que os humanos em geral, deixam tudo para amanha, é genético… só quando são pressionados por algo ou alguém, dão corda aos sapatos e fazem tudo!

Gabriel Garcia Marques, quando soube que tinha um cancro, passou a escrever de forma diferente, falou mais na vida que na morte… estranho não? Agora que estava mais perto da morte, falava na vida… pois, é basicamente como somos…

Não sou excepção, ando todos os dias a pensar fazer uma coisa, e vou adiando, por isto, por aquilo… e não o faço! Tenho desculpas boas para mim própria, e os dias vão passando...

Tal como a minha visita ao meu sitio encantado! Se vos contar que já passei lá umas 5 vezes e acabo por seguir em frente, porque esta a chover, porque não tenho lugar para a carrinha, porque, porque… a verdade é que penso em lá ir todos os dias, porque sei que lá, é o único sitio que encontro o que ando à procura…

A ultima vez que lá estive, deve ter sido a uns 2 anos… incrível, o tempo voa, e o que mais fazemos é apenas queimar tempo… e lá encontrei exactamente o que procurava!

Vim triste, porque até o paraíso esta a ser destruído… mas vim cheia de esperança, cheia de força…

Uma das vezes que lá foi, estava tão vazia, que me deitei numa das pontas, sentir a pedra fria, ouvi o riso das crianças no recreio, senti o sol na pele, o perfume de Lisboa, a humanidade do Tejo… senti tudo! Ali era o meu pequeno mundo! Desde miúda que ficava ali a olhar para as casas e a imaginar como faria, como as recuperava, como as pintava, o que fazia aos quintais… horas nisto! Em vez de brincar com bonecas, brincava com a mente, e lá ficava eu horas, a recuperar Lisboa, a sua história, a sua cultura e a sua riqueza arquitectónica…

Em miúda sentia que o tempo não passava, e a porcaria dos 16, 18 anos nunca mais chegavam… ouvia os velhos a dizer que depois dos 18 isto era um tirinho!

Não é um tirinho, mas realmente passa rápido à brava….

Já pararam para pensar, que andamos todos a correr para o fim, para a morte!

Andamos todos à espera que amanha seja melhor, que o fim do mês chegue, que o fim do ano venha, que as horas no escritório passem… corremos com uma força furiosa para o fim, e conscientes ou não, estamos cheios depressa de lá chegar!

No canil o tempo é outro contra-senso… é bom que o tempo passe e que mais um menino seja adoptado, mas por outro lado o tempo passa, mais meninos chegam! Doentes, tristes, com dores, com tristeza, com filhos, com sonhos, com esperanças… e depois o tempo passa, ninguém os vai buscar, o fim chega… através de uma agulha, que até nem dói muito… mas dói, não ter direito a sentir o quentinho de um cobertor, o sabor de uma refeição, o calor de uma festinha, a ternura de um abraço…

Nascer para sofrer e morrer…

O Igor, tinha esperança, fez frente aos vírus, comia a sua ração para se manter vivo, aproveitava cada raio de sol, cada passeio, cada abraço, como se fosso último, ia para as campanhas cheio de esperança, e quando chegava a hora de voltar, olhava para mim com a certeza que voltava!

Da última vez, prometi que já faltava pouco, prometi que existe mais qualquer coisa, mesmo que seja por detrás do arco-íris!

Fiz uma promessa que não cumpri, e o tempo do Igor chegou ao fim… e eu não o tirei de lá, não fui ao sítio encantado, não disse o que tenho preso na garganta, não tratei de resolver todos os pendentes… e o tempo passa… para mim! Porque para o Igor, já acabou o tempo da corrida para o fim…

Não acredito em deus, nem em céu… por isso, talvez seja aqui o fim de tudo…

Mas acredito em energia e no amor… mesmo que por vezes parece não chegar…

Adeus Igor!

 

Sandra Duarte Cardoso

Lisboa, 25 de Novembro, 2006

publicado por Sandra Cardoso às 22:39

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Segunda-feira, 13 de Novembro de 2006

Animalesco...

Hoje vi um filme, que a mensagem inicial era basicamente; “o mundo é uma merda…”!

Todos dizemos, pensamos ou ouvimos esta frase!

Não me considero uma humanista, e confesso que a minha fé na humanidade é francamente frágil e tende a emagrecer dia para dia…

Por vezes, sinto que estou errada e que as pessoas são boas e capazes de promover a bondade, mas isso é francamente a menor percentagem do tempo…

O heróis, são os gajos que já estão mortos… e sabem porque? Porque já morreram e não afrontam mais ninguém… é comum ouvir as pessoas nos enterros a dizerem era um bom homem foi uma perda! Mas provavelmente nunca ninguém disse isso ao homem que já esta despachado na caixa, durante a sua vida toda…

 Pode ter sido simplesmente pelo facto de nunca ter sido, ou porque nunca ninguém o reconheceu!

A malta boazinha, espécie raro!!! São normalmente os neutros! É uma felicidade sem dúvida, estão sempre de acordo e quase todos gostam dessa malta, ou melhor, todos toleram, porque também não existe razão ao motivo para não gostarem!

Este filme falava em fazer algo pelos outros, ou seja um miúdo começou por ter como trabalho escolar do ano, tentar ajudar realmente alguém… Fazer algo mais importante do que concertar a sua bicicleta… concertar uma pessoa!

Fascinante… uma criança generosa o suficiente para dar do seu tempo e de si, a outra pessoa, pelo simples prazer de dar! Não deu coisas matérias, deu sentimentos e esforços!

Brutal… os putos normalmente estão ocupados em jogar, ver os morangos com açúcar ou atazanar o fígado ao puto mais fraquito da aula! Este era diferente! E como diferente que era, acabou por morrer a tentar dar de si o que tinha de mais precioso, a sua convicção em ajudar!

Não era um neutro, porque embora as suas intenções fossem boas, havia quem não o entende-se e até quem o mata-se… era um decidido! E normalmente os decididos, os fortes e os frontais, são um incómodo para a humanidade em geral…

É mais fácil conviver com os que dizem sempre que sim, ou com os que aguento tudo numa de ficarem bem vistos…

As pessoas vivem obcecadas com a sua própria existência, com os seus próprios problemas, com a sua barriga em geral! E Esquecem que podíamos fazer um bocadinho mais

Unir esforços para fazer uma coisa boa! Em vez de unir esforços para fazer coisas más!

Já reparam que um animal quando não gosta ou se sente em perigo ataca pela frente, mostra as garras, dá o corpo ao manifesto em defesa de si mesmo ou dos que ama!

As pessoas preferem esquemas sujos e articulados, onde se podem esconder e desimular, a frontalidade e a coragem, é um acto animalesco!

Os animais são francamente mais evoluídos que nós! Pelo menos na honra!

Vejam o filme "Favores em Cadeia", já disse o final, mas o que importante é a ideia!

E o mais importante para além da ideia, e a execução desta!

 

Sandra Duarte Cardoso

www.sosanimal.com

Lisboa, 12 de Novembro de 2006

 

publicado por Sandra Cardoso às 01:22

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.o que se pode saber de mim. O resto é um mistério...

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