Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2005

O meu amigão...

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Se por um momento pudesse pensar em desistir de andar feita “maluquinha”, como o meu pai diz, a defender os animais e os que acho que precisam da minha, na nossa ajuda! Lembrava-me de todas as coisas magnificas que passamos pelos nossos meninos, de todas as batalhas que ganhamos e das que perdemos…
No ano de 2005 foram infelizmente muitos os que não podemos ajudar, dos que passaram na minha casa, a Francisca, Gastão e a Nina, não resistiram a todo de mau que o mundo já lhes tinha dado, embora a todos tenha tentado demonstrar que os humanos não são todos iguais, não os consegui salvar, e nem todas as lágrimas que verti sobre eles fizeram com que as feridas sarassem, nem que a esgana fosse embora… forem eles embora, lamento cada segundo de vida que passaram em canis ou abandonados na rua, lamento que tivessem tão pouco tempo de vida, lamento que tenha sido tão pouco o que lhes pudemos dar… lamento ainda não ter chegado mais cedo, não ter sido mais proactiva e mais forte! No caso da Nina morreu nos meus braços, com a maior das dores a sufocar, depois de um veterinário ter levado 200 euros e não ter feito basicamente nada para aliviar o sofrimento da minha menina de 2 meses…
A Francisca tinha esgana galopante, foi para minha casa triste e quase sem força… quando lá chegou e a coloquei na banheira, ficou com os olhos abertos sem conseguir acreditar que tinha novamente uma casa, depois do banho, correu feliz pela casa, foi a ultima vez que a vi feliz… dois dias depois foi hospitalizada e morreu na box sozinha durante a noite… peço à natureza que a tenha poupado de dores e que me perdoe a mim não ter estado com ela até ao fim….
O Gastão, esse para além de tudo teve mais sorte, tinha-os a nós, que fizemos de tudo para que ele pudesse ficar o nosso cão, mas a esgana não deixou… e enquanto eu estava longe, foi adormecido… por mais que digas que estava acompanhado, não consigo aceitar não ter estado lá, para olhar naqueles olhos mais uma vez! Está até hoje no meu PC, para eu nunca esquecer a lição que me deu… Recebeu tanta coisa má, e só nos deu amor… nunca refilou de nada, aceitou tudo com calma, era obediente, e quando olhava nos meus olhos passava carinho e amor…
O Apolo é mais um animal vítima de maus-tratos e fome… não foi no meu carro que ele entrou, mas eu vi-o no dia que foi encontrado! Não tenho palavras p o descrever, além de diversas ferias e de uma magreza terrível, estava esfomeado e com o olhar quase sem brilho!
O Apolo conseguiu fugir de umas condições terríveis, e encontrou alguém que não sabe virar a cara, e fez por ele o que jamais alguém fez!!!
Foi tratado com dinheiros e recursos meramente pessoais… e conseguiram arranjar uma dona á altura das suas necessidades… que no fundo são amor e comida…
Este caso serve de exemplo aos milhares de animais que continuam pelas ruas, fechados, vitimas dos maiores horrores, dores e torturas…
Isto acontece ao lado das nossas casas, e são raras as pessoas que tem a coragem de intervir e de não virar a cara…
Pessoas como tu SosCão como o Bartô te chama, que embora resmungues mais a maluquinha das limpezas, ambos tem em comum o facto de não fecharem os olhos… e de contribuírem para que nem todos sejamos a mesma porcaria…
Tu alem do meu grande amigão, irmão do peito, és um ser humano excepcional, para além de todas as coisas que te saltam da boca para fora, tens um coração enorme… não foi à toa que o Gastão te escolheu para Pai! E quando fico muito em baixo, é verdade que procuro o teu colo para dizeres que os cães vão sair, e que tudo se vai resolver!
Para alem de dizeres que vais dar um murro na cabeça do Anão, e que um dia destes deitas fogo aos carros dos gajos!! O facto de me chamares Latinhas, vindo de ti é macio meigo e gentil… quando quero rir, lembro-me das nossas viagens a levar cães ao Baco, das nossas gargalhadas compulsivas, e das porcarias que dizemos quando estamos juntos…. Enfim… da berraria que são as viagens na carrinha do velho, com merda até ao tecto e com um cheiro que nem os cães aguentam, a meio do caminho desmaia tudo e chega tudo ás campanhas em coma!
És o meu braço direito desta guerra, és o meu compicha dos meninos… e sem ti sinto-me perdida, sinto-me desorganizada, sem a tua ajuda não conseguia fazer metade, esta é a verdade… tu nunca me dizes que não, e quando te peço mesmo que estejas cansado, queiras ir vagabundar, ou tenhas compromissos, arranjas sempre espaço, e lá vens tu para ir com a Latinhas, ver mais um desgraçado ali ou aqui, para ir buscar os meninos do canil, para dar na boca daqueles caralhos, para me tapares o ananás que os outros galam à brava… para controlares a coisa enquanto durmo atrás da tenda!
Tu és tu! Existem palavras que são só tuas, existem frases que só podiam ser tuas, existem momentos que só tu os podes dar, existem sorrisos que só tu sabes desejar… e existe esta amizade que só tu sabes como me dar… da tua/nossa maneira!

Adoro-te amigo Cortes, Cortez, Maxo, Tarado, e normalmente Ó Paneleiro!

Sandra Duarte Cardoso
publicado por Sandra Cardoso às 17:19

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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2005

2005...

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2005… Está prestes a findar… esta prestes a chegar ao fim… é altura de despedidas, de balanços, de resoluções…

Não tenho nada para resolver… nada que não posso esperar por 2006, ou melhor nada que seja exclusivo da minha opção ou vontade…

Balanço, meu deus! Que ano! Que vida! Que tumulto de sentimentos que acontecimentos, bons, maus excelentes, fabulosos, intensos, devastadores, estimulantes, apaixonantes, revoltantes, em suma tudo.

Cada ano que termina, seja ele qual for, consigo sempre tirar o melhor e tentar esquecer o pior… porque as recordações devem ser boas. Senão para que guardar?...
Este ano consegui coisas pelas quais trabalhei muito, este ano tive os meus amigos como sempre, uns mais perto outros mais longe… este ano ganhei de presente do mar um amor intenso e denso, aquele amor que nos faz ter vontade de acordar de manha, aquele amor que nos enche o coração…. Este ano ganhei de presente sorrisos de pequenas crianças que me ensinaram que podemos ser felizes mesmo não tendo quase nada, porque se a esperança existir, já basta… este ano aprendi que afinal não precisamos de ter tudo para nos sentirmos completos, apreendi que tudo é tão relativo como nada… que há quem tenha tudo e não tenha nada, mas também há quem não tenha nada e afinal tenha tudo…
Não sei se tenho tudo, mas sei que tenho tudo o que preciso para ser feliz, posso ter mais, e francamente espero ter sempre mais… no entanto espero sentir a sensação de preenchimento que vive em mim hoje…se em certos dias a vida parece tão difícil de transpor, quase impossível de suportar, outros dias parecem minutos, e a única coisa que custa é o facto de passar tão rápido!
Aprendi que nem tudo é tão simples como parece, e que certos pormenores são fundamentais para perceber a historia toda, e aprendi também que por vezes, temos que ouvir melhor, ver com mais cuidado para perceber onde esta o erro, ou se ele realmente existe…
Tive a certeza que se tivermos paciência e a alma limpa, a verdade chega sempre ao de cima… aprendi que na vida existe sempre dois lados, aprendi que não somos todos iguais, e mesmos os que parecem ser simples, são densos e complicados…
Percebi que a dor faz com que as pessoas façam coisas muito cruéis por vingança ou para não ficarem a perder…. Conheci um lado obscuro da mente humana e fiquei surpreendida de como se pode descer baixo para não perder! Apreendi que no jogo da vida, há quem não tenha regras e faça tudo par alcançar os fins…

Tive a certeza que ou me amam ou me odeiam… tive provas que o meio-termo não funciona comigo… e por vezes inconscientemente ou não faço com que os sentimentos tomem proporções perigosas e dolorosas…

Chorei de raiva, de pena, de desespero, de amor… Mas ri todos os dias, em alguns com gargalhadas muito fortes, outros com menos força, mas o que importa é que foi sempre com muita vontade e de verdade…

Por isso neste balanço em jeito de resumo, foi bom!
A minha tribo, pouco mais posso dizer além que vos adoro a todos, e que quero tudo de bom para vocês como quero para mim!
Amigos velhos, amigos novos, amigos que estão longe geograficamente outros que estou só psicologicamente, a todos beijos e abraços!
Aos que se foram, tenho saudades de quando tudo era fenomenal…
Aos que ganhei este ano, adorei, foi o tal pack completo!
Aos amigos que se sentem perdidos porque ninguém disse que esta passagem era fácil… não vou dizer que tudo vai ficar bem, vou apenas dizer que estou cá, para o que der e vier! E já sabem que na casa do Marques cabe sempre mais um! Nem que seja no closet!

Ao mar da minha vida, beijos e beijos, e o 2005 fica nas nossas vida como o ano em que nos reencontramos, após séculos de procura! E que o 2006 não tenha coisas que fazem chorar, e só coisas que fazem rir! Em 2006 quero ainda mais mimo, e alargar a hora da marmelada! Adoro fazer marmelada contigo! És tão doce!

Aos que acreditam que juntos vamos lá! Vamos continuar a caminhar mesmo que haja vento e chuva! Quando a causa é justa, vale todos os sacrifícios… até roubar do tempo que tenho para te dar, para salvar mais um animal, para ter mais um sorriso, vale sempre a pena… e se o preço é este, estou disposta a pagar!

Aos amores da minha vida, aos amigos, aos inimigos, aos que conheço aos que nem conheço, aos cães e aos gatos, á menina e ao menino, a todos e mais um!!!!!!
um 2006 em pleno, e que não seja mais um ano, mas o ANO! Não pensem só nas vossas coisas, vejam mais além… a felicidade é simples e está vestida de branco…

E quanto a mim, resta-me dizer que este ano, foi um ano cheio, um ano que vou lembrar por tudo de bom e esquecer por tudo de mau!
Porque fosse muito ou fosse pouco, fosse mau ou fosse bom, fui sempre MY AWAY!

Beijos
Sandra Duarte Cardoso
publicado por Sandra Cardoso às 17:31

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Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2005

É Natal

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È Natal… pelos menos é o que dizem os milhares de cartazes não recicláveis espalhados em todas as lojas e ruas da cidade…
Pois, o calendário assim o diz, embora francamente não consiga sentir isso… não consigo perceber o que é o Natal, e a única cosia que consigo sentir é uma espécie de desprezo por uma quadra que se celebra tudo menos o que era suposto!
Afinal… o que é o Natal? Se é andar como doidos nas lojas a comprar presentes para quem se gosta ou até para quem se despreza, não gosto! Se é andarmos feitos doidos nas filas do supermercado para comprar, leitões e borregos, que são arrancados das suas mamas quando ainda são amamentados, então, desprezo o Natal… se natal é provocar dor, ser cínico, consumista desenfreado, egoísta e exibicionista… não gosto, não quero e detesto!
Por esta altura, as televisões enchem as crianças de sonhos, que tantas não podem ter, que tantas não podem sentir, que tantas nem sonhar conseguem… Como se sentem essas crianças, que lhes falta até a comida, a roupa, uma casa… o que sentem quando olham para o ecrã e sentem que o Natal, cheio de luz e glamour, os deixa ainda mais de lado ainda mais esquecidos, mais longe das crianças que, felizmente, podem ter os brinquedos dos anúncios, os ténis do Ronaldo… não consigo pensar no Natal como ele deveria ser, porque o sinto como uma mega campanha de Marketing para os países industrializados…
Á minha volta os meus amigos dizem que estou amarga em relação ao Natal… talvez, não sou negativa nem dramática, mas… nesta época os canis ficam lotados de animais que as pessoas simplesmente deitam fora, as ruas ficam cheias de lixo de papel o mais poluente possível, as crianças berram porque querem a ultima consola, enquanto outras já nem força para chorarem têm porque tem fome, tem medo, tem frio…
Estas assimetrias são demasiado evidentes para que possa ver o Natal com alegria…
Se o fizesse, estaria a ser mais uma vez egoísta, confortável na minha casquinha, onde tudo este sofrimento é externo, não se passa na minha casa… mas passa-se nas casas pelo meu pais, na Europa, no mundo…
Por diversos motivos nesta altura sinto-me mais impotente por toda a dor que se alastra pelo mundo, por todo o egoísmo que abarca cada vez mais pessoas e deixa de fora todas as outras que não tem basicamente nada… pessoas esquecidas na sua pobreza, na sua miséria no seu desgosto!
È Natal… sim, e os canis estão lotados de animais de olhares tristes, doentes, amarrados pelo pescoço em cima de uma grade suja com os seus dejectos, com agua ou não, com comida ou não, mas sem um carinho, quase de certeza!
É Natal, e os refúgios e orfanatos estão repletos de crianças, que não tem os pais, não tem os brinquedos não tem o amor nem carinho… Bebes estão deitados nos berços sem que alguém possa prontamente repor a chupeta que insiste em cair!
É Natal e os lares amontoam idosos em quartos e salas, tantas vezes sem condições, sem que a família quisesse sequer saber que existem, que sentem que é natal…
É Natal e aos hospitais chegam dezenas de crianças vitimas de maus tratos, pais que matam filhos, filhos que matam pais, pessoas que se agridem por tudo e por nada… estropiados de acidentes, provocados pela imprudência, pela alcoolémia, pela falta de civismo…
É Natal e a guerra continua pelo mundo fora, a violencia impera…
É Natal, mas não é para todos, por isso, já que sou mais uma impotente perante um mundo perdido, limito-me a não gostar do Natal, limito-me a beijar o meu Pai e a dizer que já está mais um ano!
Limito-me a agradecer tudo o que tenho, tudo o que me foi dado, tudo o que conquistei, e mais que tudo pelo facto de ter a sorte de ser feliz e de ser amada…
Nesta altura o meu Pai costuma ficar mais emotivo, no fim do jantar gosta de me colocar no colo, abraçar-me, cheirar-me e dizer eu é um homem cheio de sorte… que passou mais um ano, e que nos espera mais obstáculo, mais conquistas, mais vitorias e mais derrotas… costumamos juntos, fazer uma espécie de balanço do ano… Normalmente temos sempre um saldo positivo… nem que seja pelo facto de sermos saudáveis e de termos o amor um do outro… relembra sempre outros natais… fala na minha infância e no facto de eu ter crescido tão depressa que ele não sentiu…
Este natal já sei quem vem a conversa da falta de tempo para a família, do excesso de dedicação ao voluntariado, na opinião dele! Em suma, ciúmes…
Mas todos os Natais digo o mesmo, enquanto eu estou naquele colo, numa casa farta… muitos estão do outro lado da janela…
Talvez um dia eu consiga mudar de opinião, e veja o Natal como a tal quadra especial de esperança, de fraternidade, de ajuda entre os povos, e compaixão para com os que sofrem…
Ainda não foi este ano, mas tenho esperança que aconteça…
Neste natal tenho o conforto dos pensamentos sobre os animais que encontraram uma casa, dos que fugiram dos maus tratos e encontraram em nós o refugio, dos sorrisos dos meninos a quem levamos algumas coisas, dos beijinhos e dos abraços dos meninos e animais que acreditaram que poderia ser diferente…
Tenho em mim, todas as pessoas que participam activamente na causa, tenho em mim todos que participaram, todos que nos fizeram acreditar que a união faz realmente a força, e que “MUITAS PEQUENAS COISAS FAZEM GRANDES COISAS”.
A toda a equipa da SosAnimal, a todas as Associações e movimentos de apoio aos animais, crianças, etc., Instituições e pessoas individuais, muito obrigada pelo vosso contributo, e por contribuírem para que um dia, o Natal e o ano todo seja agradável e justo para o mundo…
A todos vós um Feliz Natal….

Sandra Duarte Cardoso
Sandra.cardoso@sosanimal.com


publicado por Sandra Cardoso às 12:05

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Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2005

Amar...

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Amor da minha vida,





Todos os dias acordo e viro-me para ti e entro no mundo da tranquilidade, num mundo onde nada mais importa. Deixo-me ficar a sentir o teu cheiro, o teu calor a tua energia.



Sinto a tua respiração, sincronizo a minha com a tua, fundo-me no teu corpo. Gostava de ser como o polvo, ter vários braços para te agarrar toda ao mesmo tempo de modo a que todos os centímetros do teu corpo tivessem nas minhas mãos, descansassem nas minhas mãos. Todos os poros da minha pele emanam amor por ti , um amor sem limites, insaciável.



Adorava poder, de alguma forma, trazer-te sempre comigo. Sempre a meu lado, sempre presente. Como uma verdadeira alma gémea que me acompanha em tudo o que faço, penso e digo. Imagino, trazer-te como um bebé, bem encostadinha ao meu peito, beijando a cabeça, acariciando as tuas costas.



Não quero mais estar longe de ti. Não dá. Não me faz bem.



Se amar é desejar e ansiar, respeitar e perdoar, admirar e apoiar , então eu ..... AMO-TE ...... mais do que as palavras possam explicar, mais do que possa dizer.



Começo a achar que provavelmente nunca amei ninguém, se calhar não, pois sinto que estou num processo de aprendizagem, de amadurecimento. Como se voltasse à primeira classe e me estivessem agora a ensinar a ler e a escrever. Um novo mundo abre-se à minha frente.



Tou feliz !!!!!!!



Mil beijos



Muito amor para a mulher mais bonita e encantadora do mundo.



Amo-te



Pedro
publicado por Sandra Cardoso às 17:31

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Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2005

2ª Visita da SosAnimal à Aboim...

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O entusiasmo desta acção começou no dia em que enviei o primeiro e-mail para a divulgação da angariação das coisas… no mesmo dia houve feedback de vários lados, e diversas pessoas ficaram motivadas para ajudar … já não falando no grupo do costume, todos participaram, o carro da Cândida passou a transporte de carga diário, as nossas casas, os armazéns do chiado, e uma espécie de alegria e sensação de preenchimento tomou conta de nós… Se surgia um entrave, facilmente era ultrapassado, com disponibilidade, com a falinha mansa e o sorriso da Cristina, com a determinação da Teresa, com a ajuda de tantos amigos, colegas e até desconhecidos que se uniram a esta causa e tornaram todas as tarefas mais fáceis…
Cada telefonema que recebia, cada e-mail que trocava enchia-me a alma de vontade de fazer mais, de passar depressa os dias para seguirmos viagem, para encontrar o pequeno Tomás, para sonhar com eles que tudo pode ser melhor…
Na última noite, a euforia tomou conta da nossa casa, caixas, fitas, Luís e Lígia a acartar, Bartô a encaixotar e a organizar por sapatinhos, brinquedos, etc., era a loucura, regada de euforia e excitação! O cansaço era destroçado por sorrisos largos e carinhos! Tudo vale a pena quando a alma não é pequena!
A janela do escritório servia de acesso aos muitos donativos que ainda chegavam naquela noite, o monte de coisas que tínhamos deixou o António perplexo, também ele carregado de sacos que arranjou “melgando” as vizinhas! Todos contribuíram, todos participaram…
No fim dos trabalhos de “encaixotamento”, por volta das 3.00 da manhã, no meio das caixas, olhei para ti e pensei que era tão feliz, tão afortunada, que tinha tudo, e que gostava de dividir o que sinto cá dentro com o mundo, gostava que todos pudessem ser felizes, que todos pudesse ser amados e amar…Exaustos, mas cheios de alegria olhamos felizes para o monte de caixas empilhadas pela casa, á espera de serem abertas e distribuídas para rasgarem sorrisos naquelas carinhas, que têm tão pouco e dão tanto!
Detesto levantar cedo, mas mal tocou o despertador, saltei da cama… É hoje! Carregamos a camioneta gentilmente cedida pela Galamas, e seguimos para o próximo carregamento na casa da Cândida, todos contentes, sem sono, sem birra matinal, sem frio… porque o calor da alegria e da felicidade irradiava pelos nossos poros, e aquecia tudo, os corpos, os sorrisos, as almas e até o mundo… pelo menos o nosso…
E assim partiu a carrinha rumo a Faro!
Antes de Faro, ainda paramos em Beja com os carros atolados de ração e outras coisas que tanta falta fazem por aquelas bandas, um canil Municipal com uma associação de protecção animal, o Cantinho dos Animais… como tantas outras, cheias de boa vontade, com muitos animais e poucos recursos! A nossa chegada veio encher de alegria aquela manhã, depressa distribuímos ração e miminhos pelos animais do pátio, oriundos das ruas, abandonados, esquecidos à sua própria sorte por pessoas, que o fazem impunemente e não sentem absolutamente nada pelo seu acto, que na maioria das vezes resulta em sofrimento, atropelamentos, doenças e consequentemente morte dos animais.
Aquela manhã foi diferente, tiveram comidinha e festinhas! No meio do grupo estava uma cachorrinha, com 4 meses, doida de alegria, comia, saltava, emaranhava por mim acima, corria! Estava feliz! Depois de descarregada a carga e distribuída alguma da ração, chegou a hora de seguir viagem, e todos aqueles olhinhos, ficaram por trás da rede a olhar, sem perceber o porquê de termos de ir embora, sem perceber o porquê de estar ali, sem perceber jamais o porquê de tudo ter de ser assim, tão triste tão difícil…
Era tudo tão mais fácil, se cada um de nós, respeitasse o que nos rodeia, a natureza, os animais, os outros… se cada um de nós fizesse alguma coisa, por pequena que fosse para ajudar os que precisam, se cada um de nós, pudesse dispensar uma ideia em prol dos outros, uma hora, um sorriso, uma mão… se cada um de nós, conseguisse dispensar uma pequena parte da sorte que tem, em ter basicamente tudo, e dar aqueles que têm basicamente nada… tudo seria com certeza mais fácil, menos penoso, menos injusto…
Se ao menos nos nossos rostos vivessem sorrisos, em vez de feições sisudas, se ao menos nos nossos corações vivesse a esperança em vez da aceitação do que está errado passivamente… se ao menos, fossemos na verdade humanos uns para os outros… quem sabe, talvez, só talvez, fosse bem mais fácil…
Quando chegámos à Aboim (Faro), o cordão de gente para descarregar parecia infinito… grandes e pequenos, todos em equipa descarregavam as caixas com sorrisos e com uma certeza, que hoje, ali, ia ser diferente, e com certeza iria fazer diferença nas pequenas mas já muito difíceis vidas que nos aguardavam dentro da casa cor-de-rosa!
As duas horas que antecederam à entrada na instituição, pareceram infinitas… entre sorrisos e biberões de leite para tentar salvar uma ninhada de cadelinhas que nos acompanharam nesta aventura, o tempo teimava em não passar, e as brincadeiras do Pedro Cortes eram um bálsamo… todos sorriam, contentes, com a tal sensação de conforto, que embora aquela dia fosse uma gota no oceano, certamente ajudaria a encher o copo de alguma criança… mas no fundo todos pensavam no mesmo, nos pequeninos, que estavam na casa cor-de-rosa! Eu pensava no Tomás… pensava que o iria reencontrar, pensava se ele me iria reconhecer, se já falava melhor, se ainda gostava de cavalos… se ainda queria vir para a minha casa como tinha pedido em Agosto… Relembrava aquele sorriso, aquele cheirinho, que ficou marcado em mim, que me fez ter vontade de ser mamã, que tornou pequena a minha existência de menina mimada pela família, pelos amigos, por todos em geral… Sem dúvida que o pequeno Tomás mudou algo em mim… Abriu uma portinha que estava fechada…
Mal entramos corri para as salas onde estavam os meninos da idade dele, carinhas já conhecidas, muitas outras carinhas lindas novas, mas a do Tomás… não conseguia encontrar, até aquele momento, o facto de ele já não lá estar não passava pela minha cabeça, ou melhor não o tinha como verdade ou possibilidade, corremos tudo, uns ficaram para trás, outros corriam comigo… até que numa porta, perguntei por um menino, chamado Tomás, com 3 anos… Foi então que nos olhos daquela senhora que vive no meios deles, que lhes dá comida, colo, banho… eu vi que o que tinha para me dizer, não era o que eu queria ouvir! Ele já não estava lá… tinha sido entregue aos avós… não ouvi mais nada… disse o que tinha descoberto aos amigos que vinham comigo e sentiam o que se passava dentro de mim, não sei se fico feliz por estar com família dele, se fico destroçada porque já não pode ficar comigo… fugi para os teus braços, e chorei… Já não podemos ser pais do Tomás… ele foi embora!!!! Disseste-me que existiam tantos meninos no mundo a precisar de mãe, se não era o Tomás, seria outro, e que tínhamos de ficar felizes pelo facto de ele estar bem… Tens razão, não choro mais, é isso! Espero que o meu pequeno príncipe tenha tudo o que é preciso para manter aquele sorriso rasgado saudável e bonito, espero que cresça como é, lindo e meigo… espero que a vida e as pessoas, não estraguem o que de mais belo ele tem, espero que não fique na infância todo aquele sorriso! E que um dia, eu tenha o presente da vida, de o encontrar… Não voltei a falar nele, nem nos meus sonhos de o ver de calções turquesa a correr na charneca, ao colo do Cardoso, a bater sonecas na rede brasileira no meio de nós… guardei para mim, e tento pensar que ela está bem… e que outro Tomás espera por nós…
Depois de enxugadas as lágrimas, fomos assistir ao discurso, várias personalidades políticas da nossa sociedade estavam presentes, algumas apelidadas como amigas da casa… confesso que fiquei desiludida… aquele momento foi usado para campanha eleitoral, para se dizer quem deu mais, quem deu menos, quem pode dar, quem é quem!
No fundo poucos nomes que se disseram amigos da causa, promoveram a resolução do problema das crianças, poucos pegaram ao colo em um daqueles meninos, que anseiam o nosso colo, poucos olharam naqueles olhinhos cheios de sonhos, já fustigados pela dor, pelo medo, pela angústia…
Pensei mais uma vez, que no meu país, a publicidade é tudo, mas a vontade de fazer alguma coisa por convicção, amor ou mesmo responsabilidade social e civil, é tão pequena como as mãos dos bébés que dormiam nas caminhas, enquanto diversas pessoas visitavam as salas da instituição, a correr… quantos de nós, irá fazer algo, quantas daquelas pessoas estão disposta a dar algo de si para mudar o que está errado!
No pátio seguiam os discursos, o grupo juntou-se numa das salas com as crianças de 2 a 4 anos… eram menos do que a outra vez, todos com sede de carinho, atenção, carinho…
Quando me sento naqueles pequenos sofás sinto-me mais perto deles… parece que falamos com os olhares, mesmo que não se diga uma palavra, como a pequena Inês que sentada no meu colo não dizia uma única palavra, não sorria, não chorava… apenas olhava nos meus olhos, e dizia tudo…
No fim do dia, viemos embora a olhar para trás, a pensar que afinal a tal carrinha cheia, era pouco, que havia muito mais para fazer e dizer!
Por tudo o que mais um dia vivi, por tudo o que mais um dia senti, tenho a maior das convicções, que juntos somos muitos, que o nosso pouco pode fazer diferença, e que a única maneira de ajudar, é mesmo participando… Por isso, daqui a nada estamos lá de novo!
E uma nova iniciativa está já a sair!
Com a participação de todos, vamos conseguir esboçar sorrisos, traçar soluções, incutir noções de civismo e quem sabe, um dia, ver o sol nascer sem que nenhuma criança, animal ou adulto, sofra pela irresponsabilidade dos outros…
Conto sempre convosco!


Sandra Duarte Cardoso
publicado por Sandra Cardoso às 14:25

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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2005

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Alvito.JPG
publicado por Sandra Cardoso às 18:26

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Casa da Guia.JPG
publicado por Sandra Cardoso às 18:25

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Terça-feira, 6 de Dezembro de 2005

Girafinha linda...

tigerdate.jpg


Já sei, já vi, já senti… por vezes a puta da vida prega-nos partidas e coloca-nos barreiras que não conseguimos perceber porque, para que, e como…
Um dia temos a alma cheia de coisas boas, temos tudo, somos nós e o resto do mundo… e no segundo seguinte temos os olhos cheios de lágrimas, temos dores no peito fortes, temos medo, muito medo… a alma fica de luto…
Eu entendo que seja difícil de perceber as contrariedades da vida, e nem sequer vou ter a audácia ou a insensatez de opinar, sobre o facto que vai passar, ou que o tempo limpa tudo, e nem vou dizer que acho melhor fazer assim ou assado… não vou, porque tudo o que posso dizer, é que estamos aqui, sempre, contigo!
Não sei se passa, não sei se vai correr bem, nem sei se algum dia ficará tudo fica igual… pode ser que sim, pode ser que não, quero acreditar que sim, quero pensar positivo, e quero ver nessa cara linda um daqueles sorrisos fotográficos que te descrevem tão bem… Não hoje, talvez amanha, quando formos beber uns copos valentes, quando começar a abrir a matraca para dizer a merda do costume, as parvoíces que jorram de mim não tem limites, e se houver um gin por perto, estamos lá, não é gajas?
Ser grande, não andar sempre nos cantos a lamentar a vida, não simular suicídios e outras chamadas de atenção tristes e estúpidas, pode dar aquele aspecto de fuerça bruta, de forte, mas no fundo… somos todos um bando de meninos assustados, uns com mais ética e valores que outros, felizmente, mas quando dói, chorasse, e o resto, muito honestamente que se foda! Porque no fim estamos lá para chorar contigo, comigo, connosco, sempre… de lá para onde der, onde for e como for! Se tiver de correr com as calças do Barto rotas vestidas, corro, se tiver de andar nas dunas, bora! Se tivermos que meter o dedo no nariz aqui ou ali, bora! Porque quando passar esta merda toda, o que de melhor tens e és, fica, o resto vai embora ou não, conforme a sua importância e valor…
O que não vai embora jamais, é a amizade que está aqui e ali, já se sabe que o trio nunca está só!
Estamos aqui, falo em meu nome e no resto da gang, em especial das mosqueteiras, uma por todas todas por uma!
Uma vez disseste-me que a vida se andava a portar mal comigo… agora está contigo…
Também disseste que eu era a vossa princesa, eu digo-te que tu és a nossa girafinha linda e fashion, que mata os gajos do Doc´s e provoca erecções em massa com biquinis munidos de frases sinuosas e gulosas!
Para o ano, estamos lá de novo, a comer torradas em quantidades industriais, a cheirar o alho do Tio Campos pela manha, e a ouvir os brasucas a atazanarem as dietas “olha a bolinha”!!!

Adoro-te gaja


<Sandra Duarte Cardoso
publicado por Sandra Cardoso às 17:59

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